“Desenvolvimento é a gente ser feliz”. Com esta declaração, Valneide Sousa, da comunidade de Caetanos de Cima (Amontada), fez uma crítica ao conceito de desenvolvimento que a indústria do turismo tenta impor às comunidades tradicionais, mostrando que elas sabem o que querem e não aceitam o desenvolvimento a qualquer custo. A fala abriu o lançamento da Rede Cearense de Turismo Comunitário, que aconteceu na noite do dia 13 de maio na casa de forró Kukukaya.
Na ocasião, Valneide apresentou as 12 comunidades que fazem parte da articulação: Tatajuba (Camocim), Curral velho (Acaraú), Caetanos de cima (Amontada), Flecheiras (Trairí), Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Batoque (Aquiraz), Prainha do Canto Verde (Beberibe), Assentamento Coqueirinho (Fortim), Ponta Grossa (Icapuí), Tremembé (Icapuí), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-Fortaleza) e Conjunto Palmeiras (Fortaleza). “A tucum é uma junção de comunidades que sonhavam sozinhas e resolveram sonhar juntas”, declarou, revelando a emoção desse momento para todas as comunidades que compõem a rede. Ainda na abertura do evento, Jefferson Souza, do Instituto Terramar, falou sobre o orgulho da instituição em ter feito parte da construção da rede.
Reunindo desde comunidades que ainda estão estruturando-se para receber os visitantes até aquelas que já praticam o turismo comunitário há vários anos, a rede tem o objetivo de fortalecer e dar visibilidade às experiências de turismo comunitário desenvolvidas no Ceará. Por meio da articulação, as comunidades obtêm formação, melhoram suas infra-estruturas, ampliam as possibilidades de captação de recursos e trabalham conjuntamente uma estratégia de marketing, ampliando, assim, a capacidade das comunidades em oferecer os serviços turísticos.
A noite contou ainda com o lançamento do livro Ecoturismo indígena, de Luíndia Azevedo; com a exposição fotográfica O ser praiano, de Águeda Coelho; e com o show da banda “cumpade” Barbosa e as “cumades”.